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Mostrando postagens de julho, 2017
Aos que ergueram a mão Não pra segurar o machado Pra segurar o que ficaria Não o que iria pra serraria Madeira podre Pobre vida Minhas árvores de papel Que anoitecem sãs E amanhecem vãs Que choram na lua cheia A seiva dos galhos cortados Facões, tesouras, motoserras Tudo que as detém Que será de nós sem elas? Que raiva seguram nas folhas Dos humanos que se empedraram Que não tem dó Que zombam Que arrombam O verde que ainda existe Dizem as línguas sensatas Se ninguém cuida das cidades Onde vamos morar? Tem carro dormindo em garagem E gente dormindo em qualquer lugar
Tirei o baralho De quem sempre deu as cartas Crupiê melindre Mágico mandraque Amigo de araque Gato de madrugada virando a lata do lixo Botando os bigodes em todos os cantos Ajoelhando-se para todos os santos Na música dos solitários Sou maestro da orquestra Não tire o que me resta Lágrimas, suor ou pão O carteado agora está na minha mão Lanço-o às estrelas no céu silencioso Lembro das horas barulhentas Guardo algumas risadas Tomo novamente o rumo na estrada