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Cartagena - Bogotá

Quando minha família decidiu sair da minha terra natal e mudar se para a Colômbia, meu coração se encheu de medo. Cartagena de las Índias me parecia um lugar muito distante, inclusive muito longe do que eu tinha de planos.  Num primeiro momento me desagradou a cidade. Eu era a única rubia em meio a tantos negros. Alguns me olhavam de baixo, outros de lado, as vezes até se podia ver suas caretas por debaixo de seus trapos. As mulheres tinham um jeito mole de andar, com panos na cabeça e seus quadris largos. Vendiam todos os tipos de fruta que se podia imaginar. Roupas coloridas, casas coloridas, mar de sete cores. Nos primeiros meses isso me deixou com náuseas.  Mamá havia chamado o senhor Rodrigues, um bom médico da região para que me consultasse.  - Diga: Trinta e três!  - Que dizes?  - A moça nem espanhol sabe falar. Suspeito que não se ambientou à cidade. O melhor remédio nesse caso é o tempo.  E os homens. Andavam com o peito e...
O homem sempre tinha uma das mãos ocupadas O copo que vivia nela Meio colado Meio de lado Em direção à boca Era um poço invertido Colocando líquido pra dentro Poço sem fundo Tentando encher de alguma maneira Um não sei o quê sem eira nem beira Não tinha nem segunda-feira Que se salvasse Nada que não entrasse naquela vida Que não fosse a bebida Bebe a vida Passagem só de ida Se escondia atrás do vidro Da taça Da garrafa Das mesas Dos bares Ia rodando Deixando dinheiro Trocando papel suado Por entorpecimento garantido Só falava disso Só pensava nisso Idólatra de álcool Melhor amigo de cerveja Sem tempo pra mais ninguém Devia ter visto que a mão que lhe sobrava Tinha um metal dourado Uma família do outro lado