Quem tem dois destinos? 
Só tinha esse menino
Uma família de cada lado
Dividido no machado
De tanto cuidar de boi
De chorar pelo que não foi...partiu
Partiu a socos , cavou a ida 
Olhou o pai no espelho
Viu o que não era 
Lhe cresceu no peito uma primavera
Fugiu pra ver o mundo
Três dias num galope fundo
Montado no lombo do caminhão 
Só chorou 50 metros, meio menino meio homem. Fazendo lama no rosto, juntando com lágrimas e suor, pelo caminho que já sabia de cor. 

Beijou a santinha que levava no peito
Levantou a poeira tentando 
no destino passar rasteira
Saindo do matagal, chegando na capital,
Teve com mais 5 irmãos 
Veio buscar o amor do padrinho
Desses de passarinho que cuida dos seus perto do ninho. 
Levou só um jogo na mochila
Mal sabia ele que as regras já ditava
Naquela fria madrugada
Quando beijava a mãe no rosto, o pai gritava no terreno fazendo alvoroço. Sempre lembrava disso e olhava pra baixo, subia na ponta do pé, saia meio de ré e ia. Fingia quase alegria, de saber que deu certo, sem ninguém por perto. 
Esperou ligarem
Não veio barulho do telefone
Sonhou com as notícias do rádio e enquanto isso,
era o melhor dos garotos.
Sem bebida.
Estudos só.
Jogando bola no cafundó. 
Foi o melhor na escola. Fez mais do que pediram, nunca se testa uma fera. Que bela vira.  
O melhor, é a história que ainda não acabou.
Bom olhar pra trás e ver tanta gente. Não se sentir um inocente. Levar o outono no dente.
Estampado, mesmo assim ninguém ia saber. Ninguém viu o sol no rastro. 
Foi só metade da história, pois na cantiga devida, sempre há uma partida. O que ficou para trás não tem jeito. Assim também é o rio no seu leito. 
Deus joga xadrez, perdemos todos de uma vez. Mas de mansinho nos põe em xeque. Move suas peças devagar, fingimos ainda jogar. Que nada, é Ele na estrada, Ele no cavalo, Ele é peão. Bispo e dama dançando, tem sempre Ele no comando. 
A gente nem sabia, nem sabe quando amanhece o dia, se ainda vai ter onde deitar, dados pra jogar, carona a esperar. 
É preciso esquecer tudo quando o sol vem a pino.  
Deitar no travesseiro e aproveitar as plumas, só um instante, não ter memória de elefante.
Rezar pra dar o que se imaginou, sem deixar a paz no meio da cara, hoje o menino se sente peça rara no jogo do mundo. 
E se a vida freia, pede: 
- Pisa fundo!

Pro Edo......

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