Vende-se a casa dos meus avós



Vende-se;
Com tudo o que ficou dentro dela:
O gato branco desaparecido há 2 anos;
o cheiro de pão caseiro quando se entra pela porta;
o cocoricó dos galos índios no galinheiro;

Vende-se;
o chão de tacos sempre lustrado;
os gritos das crianças rodeando a casa em corridas infindáveis;
as plantas planejadas uma a uma sobre a terra do jardim;

Vende-se;
o cachorro tratado à molhinho de carne com arroz fresco: obesos latidos;
os vizinhos sempre chegando com sorriso para buscar um alface da horta;
as rodas de conversa sobre o sofá de veludo verde da sala;
a cozinha pequena demais e sempre movimentada de netos;

Vende-se;
o corador de roupas com uma grama que sempre pega sol;
a rua sem saída de um silêncio sepulcral;
a horta alinhada à ervas de tempero;
o pé de mimosa doce;

Vende-se;
o meu avô olhando do sofá quem chega no portão,
fazendo piada
a minha avó de olhos azuis brilhantes,
assobiando enquanto cozinha.

Vende-se tijolos e memórias...

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