Ninguém caminha no terreno arenoso do meu peito. Ali corre um rio. Em seu leito. Em seu leite. Ele eleito. Dentro do nó do peito. A gente juntos no futuro. Ou eu sem nós lá no passado. Um presente esperado.
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Mostrando postagens de julho, 2013
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Sempre me lembro daquele senhor que morava naquela pensão comigo. Porta enferrujada, cheiro de cigarro. Escutei umas batidas na madrugada, pouco antes de amanhecer. Como um tapa na cara o barulho me fez acordar. Eu curioso levantei. Qualquer coisa que acontecia naquele lugar era repertório pro livro que provavelmente eu escreveria um dia. Vi o velho na porta do banheiro estapeando o próprio corpo. Quando ele me viu achou se na obrigação de me explicar. Há 20 anos não usava toalha de banho. Foi tirando aos poucos o vicio. Primeiro passou uns 10 anos só usando uma toalha de rosto, depois passou para um lenço de bolso. E hoje, já reabilitado, dava tapas no corpo para tirar o excesso de água. Mas vicio que é vicio muda de lugar e não desaparece. Sempre que ficava com o corpo à mostra no vento frio, dava 10 espirros. Podia contar no dedo. Não falhava. Um dia acordei com os espirros do velho homem. Eram oito. O silencio veio em seguida. Nem mais tapas nem mais es...
Vende-se a casa dos meus avós
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Vende-se; Com tudo o que ficou dentro dela: O gato branco desaparecido há 2 anos; o cheiro de pão caseiro quando se entra pela porta; o cocoricó dos galos índios no galinheiro; Vende-se; o chão de tacos sempre lustrado; os gritos das crianças rodeando a casa em corridas infindáveis; as plantas planejadas uma a uma sobre a terra do jardim; Vende-se; o cachorro tratado à molhinho de carne com arroz fresco: obesos latidos; os vizinhos sempre chegando com sorriso para buscar um alface da horta; as rodas de conversa sobre o sofá de veludo verde da sala; a cozinha pequena demais e sempre movimentada de netos; Vende-se; o corador de roupas com uma grama que sempre pega sol; a rua sem saída de um silêncio sepulcral; a horta alinhada à ervas de tempero; o pé de mimosa doce; Vende-se; o meu avô olhando do sofá quem chega no portão, fazendo piada a minha avó de olhos azuis brilhantes, assobiando enquanto cozinha. Vende-se tijolos e me...