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Mostrando postagens de setembro, 2009
Nada te sacia Nem deleite Nem agonia Na chuva quer seca Mesmo que pereça Deixa a fruta que anoiteça Não vai de escada Só elevador Suor no rosto é um horror Quer ouvir a mesma música todo dia Pro teu ouvido monótono arrepia Diz que a luz faz curva no espaço Mas não muda a posição no corte do aço Virando a faca tu veria O mamão de todo dia Uma estrela se formar

Notícias de uma enxurrada

Era uma bela de olhos azuis. Mas eram mornos. Sempre a olhar para baixo. Eu era menino, me lembro mais de sua voz macia do que o que me contavam sobre seus olhos. Santinha, saía aos Domingos. Rendinha branca. Missa. Senhora bem casada. Saiu da casa dos pais, velhos e altos alemães, direto para a casa do marido. Mãos dadas. Os anos, gotas na dura pedra do seu amor. Fez buraco. Assim como a fenda que fez na rua. Da sua ida e vinda do trabalho. Tinha medo não. Ia ficar sozinha. Nada do que construiu com ele valeu. Sem resposta. Ia embora, ficava, ia, não sabia. Só um sinal dos céus. Que decisão? Um dia chega em casa. Sua visão não podia ser mais estranha. Com seus olhos, os deixou como mortos em cima da cena. Naquele grande dia de chuva. Arrancado estava tudo do chão. Tudo boiava na água. Tempestade tinha morado ali. Utensílios da casa em ballet, no redemoinho no meio da sala. Nada seco. Tudo molhado. Ela suspira indefinido. Só sobrara, ali no meio da casa. A cama flutuando. Cobertor e tr...
Quase não consigo chegar, com o pneu do carro no chão. -Um prego! Exclama o senhor do conserto. Tantos dias calibrando o pneu e ele voltando a murchar. Seria este o infeliz instrumento, este prego a me torturar? Mas ao tirá-lo olha, para o pequeno objeto, que me entrega em mão junto com o brilho em seus olhos. Vendo aquele pedaço de metal que tanto bem o tem feito. Como se fosse uma jóia. A lhe trazer o pão de comer todos os dias. O bem e o mal de um prego, como são todas as coisas. Volto pra casa mansa de saber o mundo, levando na bolsa aquele pequeno tesouro, pra me lembrar sempre disso.