Ilha
Sempre me desesperei vendo as construções crescendo sem parar.
Iam arrastando minhas árvores, a rua de grama aqui de casa agora tem asfalto.
O campo silencioso de doer os ouvidos já não existe mais.
Do telhado da minha casa eu gritava pra ouvir o eco que fazia. O eco foi embora faz tempo.
Ficou impregnado na memória a tarde morna de piscina, no terreno ao lado do aeroporto, onde vez em quando um pequeno avião aterrisava.
Algo que se perdeu junto, não vejo mais tantas borboletas passeando no jardim. Nem sinto o cheiro de maresia que vinha da serra do mar. Tanta casa entre a gente que o cheiro da praia não tem força de chegar até aqui.
Nossas imensas árvores, intocadas no terreno são um refúgio.
Quem olha de longe o bairro, vê a ilha que ainda sobrou.
Hoje pela manhã, um casal de pássaros exóticos veio fazer ninho aqui no pinheiro. Tinham um canto estranho e vieram se esconder na única sombra das redondezas. As últimas árvores viraram uma passarela de pássaros que talvez nunca mais vejamos.
Eu também me pareço com esses animais. Vim me escondetr nessa sombra depois de negá-la 3 vezes ante o espelho.
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