MENINOS NÁUFRAGOS

Esse é um daqueles dias,
em que olho o mundo de boca aberta.
Quanto mais olho e surpreendo, descubro que é de
dentro de mim que ele surge.
Cuido com os pensamentos então.
Uns me arrastam serpente.
Outros me somem sem rastro.
Meninos náufragos vão e vêm na cadeira da minha sala.
Moram em uma cidade que não é a deles.
Não sabem muito bem onde vão parar.
São invisíveis na multidão.
Têem vários apelidos mas nenhum nome.
Correm à noite e dormem de dia.
Mas não sonham.
Não aprenderam.
E ensino.
O mundo dentro deles.
Puxo a cortina e quanta coisa.
Esse é um daqueles dias,
em que olho o mundo de boca aberta.

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