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Mostrando postagens de dezembro, 2008

Humorácido

Papai noel velho batuta Rejeita os miseráveis ...Aquele porco capitalista Presenteia os ricos E cospe nos pobres Presenteia os ricos E cospe nos pobres ............... Música singela dos:"Garotos Podres", para ser cantada na noite de natal enquanto as princesinhas abrem suas Barbies, feitas na Indonésia, com trabalho quase escravo. Mas não dá nada hoje é noite de natal. Todos no mundo têm o que eu tenho. Ou é assim, ou o salpicão feito especialmente pela tia Dora não desce pela garganta. Feliz Natal!!!!!

Horóscopo

Escorpião 23 de outubro a 21 de novembro Regente: Marte Elemento: Água Complementar: Touro Há aspectos de seu jeito de se comunicar que talvez se mostrem, até de súbito, fora do tempo e da ordem pretendida. A transformação desses traços ocorre de modo radical. Talvez o horóscopo esteja certo. Apesar de nunca acreditar nestas coisas, sempre dou uma olhada. È como o ateu, que diz ser assim, graças a deus. Realmente, agora me comunico pelos cotovelos, não sou mais a menina sem língua, até meus pensamentos estão na internet....

Aquela madrugada

Ninguém se preocupa Se o seu celular estragou Ou se sua conta venceu -Inda bem que não sou eu! Se seu carro é do ano Do ano em que sua vó nasceu Todo mundo lava a mão E nessa, escorrem os anéis pelo vão

O Pássaro Cativo

Armas, num galho de árvore, o alçapão; E, em breve, uma avezinha descuidada, Batendo as asas cai na escravidão. Dás-lhe então, por esplêndida morada, A gaiola dourada; Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo: Porque é que, tendo tudo, há de ficar O passarinho mudo, Arrepiado e triste, sem cantar? É que, crença, os pássaros não falam. Só gorjeando a sua dor exalam, Sem que os homens os possam entender; Se os pássaros falassem, Talvez os teus ouvidos escutassem Este cativo pássaro dizer: “Não quero o teu alpiste! Gosto mais do alimento que procuro Na mata livre em que a voar me viste; Tenho água fresca num recanto escuro Da selva em que nasci; Da mata entre os verdores, Tenho frutos e flores, Sem precisar de ti! Não quero a tua esplêndida gaiola! Pois nenhuma riqueza me consola De haver perdido aquilo que perdi ... Prefiro o ninho humilde, construído De folhas secas, plácido, e escondido Entre os galhos das árvores amigas ... Solta-me ao vento e ao sol! Com que direito à escravi...

Ilha

Sempre me desesperei vendo as construções crescendo sem parar. Iam arrastando minhas árvores, a rua de grama aqui de casa agora tem asfalto. O campo silencioso de doer os ouvidos já não existe mais. Do telhado da minha casa eu gritava pra ouvir o eco que fazia. O eco foi embora faz tempo. Ficou impregnado na memória a tarde morna de piscina, no terreno ao lado do aeroporto, onde vez em quando um pequeno avião aterrisava. Algo que se perdeu junto, não vejo mais tantas borboletas passeando no jardim. Nem sinto o cheiro de maresia que vinha da serra do mar. Tanta casa entre a gente que o cheiro da praia não tem força de chegar até aqui. Nossas imensas árvores, intocadas no terreno são um refúgio. Quem olha de longe o bairro, vê a ilha que ainda sobrou. Hoje pela manhã, um casal de pássaros exóticos veio fazer ninho aqui no pinheiro. Tinham um canto estranho e vieram se esconder na única sombra das redondezas. As últimas árvores viraram uma passarela de pássaros que talvez nunca mais vejam...

MENINOS NÁUFRAGOS

Esse é um daqueles dias, em que olho o mundo de boca aberta. Quanto mais olho e surpreendo, descubro que é de dentro de mim que ele surge. Cuido com os pensamentos então. Uns me arrastam serpente. Outros me somem sem rastro. Meninos náufragos vão e vêm na cadeira da minha sala. Moram em uma cidade que não é a deles. Não sabem muito bem onde vão parar. São invisíveis na multidão. Têem vários apelidos mas nenhum nome. Correm à noite e dormem de dia. Mas não sonham. Não aprenderam. E ensino. O mundo dentro deles. Puxo a cortina e quanta coisa. Esse é um daqueles dias, em que olho o mundo de boca aberta.

Autistas

Bons tempos aquele em que os autistas nasciam nesta condição. Um transtorno de desenvolvimento e pronto. Agora não, as pessoas se tornam autistas por opção. Opção de um fone de ouvido. Ninguém mais ouve o: -Bom dia ! Atravessam a rua sem olhar e também, balançam até como os autistas enquanto ouvem sua melodia. Parecem os cegos do filme do Saramago. Ensaio sobre a surdeira. Eu ainda ouço os pássaros cantar. Mesmo os roncos dos carros ainda ouço, não querendo ouvir, ainda ouço. Melhor ouvir isso à ser surda.