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Os mais difíceis lutos De se viver São dos defuntos que caminham: Ainda esbarram com você nos corredores Passeiam alegremente pelas ruas Conseguem até almoçar no mesmo restaurante Felizes daqueles que não enxergam mais seus mortos Que os tem em uma caixa fechada A prova de tudo Que conseguem sarar o coração Com os olhos cegos da imagem
Aos que ergueram a mão Não pra segurar o machado Pra segurar o que ficaria Não o que iria pra serraria Madeira podre Pobre vida Minhas árvores de papel Que anoitecem sãs E amanhecem vãs Que choram na lua cheia A seiva dos galhos cortados Facões, tesouras, motoserras Tudo que as detém Que será de nós sem elas? Que raiva seguram nas folhas Dos humanos que se empedraram Que não tem dó Que zombam Que arrombam O verde que ainda existe Dizem as línguas sensatas Se ninguém cuida das cidades Onde vamos morar? Tem carro dormindo em garagem E gente dormindo em qualquer lugar
Tirei o baralho De quem sempre deu as cartas Crupiê melindre Mágico mandraque Amigo de araque Gato de madrugada virando a lata do lixo Botando os bigodes em todos os cantos Ajoelhando-se para todos os santos Na música dos solitários Sou maestro da orquestra Não tire o que me resta Lágrimas, suor ou pão O carteado agora está na minha mão Lanço-o às estrelas no céu silencioso Lembro das horas barulhentas Guardo algumas risadas Tomo novamente o rumo na estrada
Quem disse que não tem medo de passarinho, diz isso pois não conheceu Major Sebastião Curió. Se você acredita na monarquia, é que ainda não viu Rainha tomando seu chá com o inimigo. Mas se acredita em sonho comum, feito de pedaço de terra de cada um, precisa conhecer esse grupo: É feito de homens de ferro, forjados ao sol, com a marca do facão que levam ao lado do corpo. Jà tem bandeiras da cor de alerta e as mãos abertas E nos olhos puxados a herança Guarani das querências do sul. Peleiam  pelo direito de uso da enxada E com ela plantam um futuro O chão é duro Há que molhar de suor pra ver se amolece, não chega só a prece No meio deles vai um Gaucho Armado com seu cérebro e sua voz ( de trovão) Braços dados com toda sua gente Se faz todo contente Na trilha que decidiu Não é só mais um bravio da terra Ele é de Mar _______________________________________________________________ " A fronte envolta em folhas de loureiro  Não a escondemos, não   Era um ...
"Não mexe comigo, que eu não ando só, ... Eu tenho Zumbi, Besouro o chefe dos tupis, Sou tupinambá, tenho os erês, caboclo boiadeiro, Mãos de cura, morubichabas, cocares, Zarabatanas,curares, flechas e altares. À velocidade da luz, o escuro da mata escura, o breu o silêncio a espera. Eu tenho Jesus, Maria e José, e todos os pajés em minha companhia, O Menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos, o poeta me contou. Não misturo, não me dobro. A rainha do mar anda de mãos dadas comigo,  Me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim. É do ouro de Oxum que é feita a armadura que cobre meu corpo, Garante meu sangue, minha garganta. O veneno do mal não acha passagem E em meu coração Maria acende sua luz e me aponta o Caminho. Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã, giro o mundo, viro, reviro. Tô no recôncavo, tô em Fez. Voo entre as estrelas, brinco de ser uma, traço o cruzeiro do sul com a tocha da fogueira de João menino, rezo com as três Marias, vou além, me recolho no ...
Tive que riscar a estrada às pressas aquele dia Saí qual bandido que ouve barulho na casa que afana 10 minutos pra arrumar as malas depois da tertulha de ano novo Ficaram os anéis e ainda consegui levar os dedos Neles dormiam a impressão da tua pele Lisa e serena Gosto das tuas nenhuma palavras às vezes Teu não dizer me fascina Pensei na gente toda a viagem A poltrona era a17 mas sentei na 21 só por desaforo Te disse o que penso Chegou a fazer vento Tua incerteza impulsiva Sempre me deixando à deriva