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Mostrando postagens de setembro, 2014
Todo meu ar Pra me afogar Eu entrar No mar E se demorar Vou embarcar Nessa de procurar Quando pareço que esqueci de desfrutar Você de sonhar E eu pra apostar Tudo isso junto deu em naufragar Quem diria se juntar Pra história ter pra contar
Digo que rezo por ti E sim, fomos um Na sombra tua: cores Foi há pouco As vezes parece que não há dúvida Em te esperar pro café Aquele colombiano Aquele interiorano Do Paraná Teu R decidiu fcar Quando abriu a poRta Mostrando uma estrada morta Que tu tomas sem voltar Ainda ficou no que sou Não quis soul me juntar Se fico: me afogar Tiro sal do mar Trabalho de Hércules Sem compensar Espero o que pra sempre parece demorar

Desmobiliário

Descobrir que o marido traía, não foi difícil. Cheiro na camisa, cabelo da cor diferente do seu, no banco do passageiro do carro, passar o sábado em casa.  Difícil foi engolir a comida. Na hora do almoço queria gritar, quebrar pratos, cair aos prantos. No jantar, bater, envenenar a comida. Por fora, a face da esposa não se alterava, engolia tudo com mais esforço e pronto. Mas era na boca da madrugada que ela, fazendo seu pão, sovando a massa, punha-se a pensar. Sovava aquilo, como se tentasse colocar o ódio embrenhado na mesa. Apertou cada pão, com todos os gemidos da alma, que gritava para ninguém ouvir. A velha mesa, gasta só de um lado, denunciava, revelava, quem ia ali de pé. Com os punhos serrados sobre o trigo, não percebia as minúsculas partículas que arrancou das lascas da madeira. Que foram por ela colocados, uma a uma na massa fofa. Eram ingeridas lentamente pelo homem durante as refeições. Mastigadas barulhentas, enquanto milimétricas fagulhas lhe atravessavam o ...