Postagens

Mostrando postagens de maio, 2010
Vou escrever na noite em que não vieste. Insana e terrestre. Inspiração vou lançar. Falácias pro mundo vou dar. Santificado cérebro a funcionar. Na noite em que não vais ligar. Sinto, sofro, me esperam na platéia. Um instantâneo conterrâneo, nessa noite vai soltar: -Palmas! -Um grito! Encher de som a sala vazia. Que falta com meu olhar. Platéia lotada não é o bastante. A falta pesa como pata de elefante
Saio de casa atrasada, chuva, a sombrinha não cobre nem a cabeça. O que virá pela frente?Mal amanheceu. Dia de trabalho, pouco tempo pra comer, muita escada pra subir. Um convite pra assistir a uma palestra sobre: dor. Dor eu tinha nas costas, mas lá vou eu pra esse encontro. No final, a surpresa do dia, João Moreira, quem diria. E eu, que sem lugar na sala, sentei na frente daquele piano, nem sonhava quem iria por ali tocar. O grande homem entra e vejo suas mãos disformes. Tocam notas que não entendo. Que surpresa dos deuses. Ouvir algo tão especial. Meu coração se alegra nas oportunidades do mundo. Volto pra casa no vácuo dos presentes que a vida me dá. Medicada.
Sinto o vento outono Na boca da porta Saliva quente querendo amornar Se abres a janela É tempo de salvar Pássaro no escuro Não sei se Anú ou Calafate Grande de longas penas Distrai Os que tentam identificar Teu tempo Teu revoar Vou atrás Arapuca não prende A quem pretende Só avoar
Febre é fogo O fogo é de pensar Pensar a gente juntos e ficando sem assunto o corpo vai querendo a febre vai comendo o calor vai acendendo Não adianta aspirina, chá ou benzimento na esquina. O pai de santo não vai dar conta Vai ter que ter outro jeito Vem logo junto do meu peito Vem pra baixo do meu lençol Não precisa cachecol Pra febre ceder só tem uma solução Já encontrei nosso roteiro: tem até canção. É filme de Fellini Vai passar na televisão

Carta ao Rei

Rey, tirano te empresto a coroa da minha cidade, para que passes por baixo dela O céu, pegas à revelia, quem me dera ser sua cidadela Para pousar neste solo, não tem permissão A casa não se empresta a quem não tem nação Quando passar por aqui, esqueça quem eu sou Nenhum abraço deixo, somente um soquinho  no queixo, e lembranças pro capitão. Assinado:eu não!!
Quem entende essa letra? Bêbada psicografia Tantas folhas num segundo Trabalho prum olho vagabundo Não que sois santa É que não os uso É que durante o dia é um parafuso Que à noite a poesia Insiste em apertar