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Mostrando postagens de setembro, 2013

História de Analuci

Analuci era mulher de malandro. Era "O" malandro e casara- se com ela ainda novinha. Ele cabeludo, ela barriguda. Tiveram muitos filhos, todos meninas.  Mas o homem era danado, bebia na rua e batia em casa. Acertava a cara de Analuci toda vez que dava na telha. Ameaçava botar veneno na comida das meninas, tacar fogo no sofá novo, cortar os pelos do cachorro bem curto, até ele ficar parecido com um gato.  O malandro bebia tanto que até comprou um bar. Analuci que só apanhava aos finais de semana , começava a apanhar na segunda e só parava no domingo.  O malandro desfazia, traía, fugia,  xingava,  urinava fora da bacia e ela nada dizia.  Um dia revoltada, acordou descabelada. Escreveu tanta barbaridade pra ele. Azedou o leite na geladeira quando ela passou perto. Pegou um microfone. Foi na praça da cidade.  Desceu do salto. Subiu num banco alto.  E gritou:  tinha feito uma lista dos dias que ele beb...
A lua sorri amarela Minha cara na janela Dois avessos Dois travessos Atravesso a rua Travesseiro de carne crua Entra na rota Contorna a missão Tua cabeça na minha mão Vou embora correndo Desenho de Dalí Engano me sorri
Meu coração bate remendado Não se vê átrio nem ventrículo Tudo misturado Bate assim de lado Cansa e não alcança A palavra pra dizer Sufoca de não te ver E reclama quando se inflama Eu quis assim Meu coração nega: tamborim A cabeça que manda Você disse que não me quis Em baixo do meu nariz Que já tinha decidido Futuro invertido Aquela noite no sofá Virou o meu juiz A cabeça decidiu O coração ainda clama Briga de titãs Em baixo da minha cama A memória vem de bandeja Fazer parte dessa peleja Joga na cara sem dó Aquela noite no cafundó Em que você mais eu nos perdemos No labirinto daquele lençol Náufragos sem farol Espero que a confusão termine Pro dia em que eu te encontrar Disfarçada assim, arrumo o cabelo Você nem vai perceber o entrevero Que se passou dentro de mim